No coração da nossa missão está a sensibilização para uma vida com menos desperdício. É uma caminhada desafiadora e lenta, que implica uma tomada de consciência na hora de consumirmos. É um caminho que por vezes é estreito e irregular, mas que acreditamos que nos levará a uma vida mais coerente e com menos impacto socioambiental.

Muitas vezes, erroneamente, tendemos a pensar que um estilo de vida mais sustentável é mais dispendioso e implica a aquisição de produtos ecológicos. Acreditamos que nada é mais sustentável do que usar o que já possuímos, prolongando-lhe a vida, reutilizando. E, portanto, ao contrário daquela ideia, viver com menos impacto é também bem mais económico. Porque "menos é mais".

Verdadeiro ou Falso?

A sustentabilidade não é sobre correr para uma loja especializada e encher o carrinho com produtos ecológicos.

Com um olhar mais demorado para as nossas despensas, frigorífico, armários e uma pitada de criatividade, é possível experimentarmos uma vida com “menos” sem gastarmos um tostão.

Comprar aquilo de que não precisamos pela metade do preço é muito caro!

Connosco não foi fácil e não foi imediato; foi e continua a ser um longo processo. Mas percebemos que reduzir o desperdício é uma boa porta de entrada para uma vida mais responsável.

Aproveitar o que já temos pode ajudar-nos (muito) neste caminho.

Há uma pequena pergunta que ajuda muito a iniciar esta viagem e a reduzir: “Eu preciso ou eu quero tal coisa?” Se a resposta for – “eu preciso”, talvez valha uma reflexão sobre a (real) necessidade, mas se a resposta for – “eu quero”, talvez possamos deixar essa vontade para um segundo ou até um terceiro plano.


Imagem: Divulgação

O poder dos pequenos (grandes) gestos

A nossa Eunice listou no seu livro “Desafio Zero” , pequenos gestos que adotou no seu dia a dia, ao longo da sua jornada “zero waste”. Muitos destes a custo zero.

  • Recusar publicidades, brindes, amostras e bilhetes. Sabemos que quase sempre vão parar no lixo;
  • Reutilizar sacos que já temos em casa evita que aceitemos novos sacos nos mercados, por exemplo;
  • Reutilizar frascos que já temos em casa evita que compremos novos potes para acondicionar os alimentos;
  • Reaproveitar uma garrafa para transportar a nossa água. Ela pode até ter sido um frasco de polpa de tomate, por exemplo;
  • Dizer não às palhinhas;
  • Dar uma nova vida àquelas toalhas velhas, são perfeitamente ideais para usarmos como discos desmaquilhantes reutilizáveis;
  • Recusar cotonetes de plásticos. Há inúmeras opções para substituirmos – de madeira, bambu e até mesmo de papel. São muito eficientes e “amigas” do meio ambiente;
  • Podemos ter na nossa mala um kit de talhares (o que temos em casa servem!);
  • Na hora de deliciar-nos com um gelado, podemos sempre optar pelo cone (ao invés do copo), sem a colher descartável. Lambuzar-se faz bem!
  • Substituir a película aderente por panos encerados. Neste artigo, ensinamos como fazer. É simples, bonito e barato!;
  • Levar marmita para o trabalho;
  • Resgatar o hábito (antigo) de usar guardanapo de pano;
  • Reutilizar lenços de pano;
  • Evitar comprar roupa nova. Que possamos lembrar da pergunta: “Preciso ou quero?”. Mais vale cuidarmos das que já temos, arranjá-las, remenda-las, dar uma nova vida.

Imagem: Gustavo Figueiredo

Além destas (valiosas) dicas, podemos iniciar os nosso caminhar rumo a uma vida mais responsável, refletindo sobre nossa forma de consumir. Passo a passo, ao nosso ritmo..

E se depois se esse mergulho profundo, fizer sentido, podemos consumir de forma mais criteriosa e exigente.

Como?

Um ótimo exercício é começarmos a (ganhar) tempo lendo os rótulos dos produtos que costumamos comprar. Eles revelam muito sobre o que está por trás de uma “bela” embalagem.

O consumo é um importante instrumento, é por meio dele que dizemos “não” a muitos processos destrutivos, sobretudo os de carácter humano e ambiental.

Deixamos uma sugestão de vídeo (curto) sobre o (poderoso) processo de transformação por meio do consumo. Vale a pena!

Instituto Akatu.

E por ai, tem alguma dica (lowcost) para partilhar connosco?

Adoraríamos saber!

Fontes: Desafio Zero; Instituto Akatu.